domingo, 13 de novembro de 2011

No ápice da montanha, deliciando-se com o vento, vidrados na paisagem.
Ele : —Qual seu sonho?
Ela sem entender : —Como?
Ele: —Estás aí sonhando acordada, posso ver na forma como força os olhos!Não preferes sonhar dormindo garota?
Ela: —Acordada posso sonhar o que eu quiser, dormindo não tenho esse controle.
Ele: —Acordado é mais perigoso, machuca mais.Dormindo passa.
Ela: —Gosto então é de coisas eternas.
Ele: —Tudo se finda, o eterno sempre foge, se vai junto desse vento.Sonhar acordado é difícil, as pessoas atrapalham, acabam estragando tudo.
Ela: —Não tinha pensado por esse lado.Mas gosto tanto de sonhos que dormiria a vida toda.Meus sonhos de acordada são perfeitos como quero, me sinto vivendo-os.Dormindo é ruim, me mexo na cama a fim de torná-los mais concretos e acabo acordando.
Ele: —Mas não dói, não marca e uma hora você o esquece.Acordado a gente não esquece da dor.
Ela: —Onde você quer chegar?
Ele: —Não sei, talvez não sonhar.Só viver e ver onde vai dar.Quer tentar?
Ela: —Mas vai acabar?
Ele: —Infelizmente é provável que sim, mas a gente pode tentar.Você quer?
Ela: —Você não quer tentar sonhar comigo e depender só de nós dois a  nossa eternidade?
Ele: —Tenho tanto medo do que é concreto.Tanto medo de dor.
Ela: —Mas eu te cuido e te curo se machucar. 
Mas eis que se descobriu.Na verdade eu.Eu descobri.Eis que eu descobri o  meu real problema, ou será que estou apenas querendo justificar tanta angústia que nomearam ‘bobagem’?Não…Não acredito que esse seja o significado de amor.Amor não é bobagem mas talvez seja o meu problema.Porque olha: eu tento, insisto, me reviro, afasto, corro, fujo, e acabo voltando.Eu fugia das coisas que me prendiam a você e que me levavam até você mas já não tenho para onde correr agora que todas as coisas me levam até.Eu juro que tento, mas eu sou burra o suficiente para voltar e alimentar o que já está cheio até a tampa.Você já está cheio de mim, cheio de vazio de mim.Não me aguentas mais e chegamos a conclusão de que o problema sou eu mas o problema que estávamos procurando no início não era eu e sim meu.Mas me perdi falando de mim e me voltei a você.
Enfim, o problema é que eu não consigo transbordar você de mim e te jogar fora, acho maldade, apesar de teres feito o mesmo comigo.Acho maldade esquecer tudo aquilo que era ‘nós’ para seguir em frente, acho pecado acabar o amor.A verdade é que eu não sei mais o que fazer para conseguir seguir em frente sem fazer maldade, não tem como.Aliás, como conseguiste? O meu eu-problema era assim tão ruim?Tão chato?Tão pouco ou muito? Tão…inamável?
Coloquemos o tempo nessa história, ele vai me cuidar, vai te transbordar de mim  você vai ver.E eu vou amar de novo um dia.Ah se vou.
Mas eu estou tão cansada, ‘stou tão doída por dentro—Uma dúvida: vocês estendem “doída por dentro” como literatura só?Meus queridos(as), sinto lhes informar mas a dor é física.Já sentiram?Espero que não, é tão ruim— que me parece dormir para sempre o meu único remédio.Mas dormir sem sonho para não correr o risco de encontrar você por lá para me doer de novo.
Veja onde chegamos: como pode eu não conseguir jogar fora algo que me machuca tanto?Meu caro, isso eu não sei lhe responder.Aliás eu sei de quê?
Como o Sol começando um dia irradia-se raiva aqui dentro de mim.Vem chegando como se já estivesse partindo e subitamente infecta-me por todos os cantos.Até não quero que ela vá embora, apenas que me leve com ela, só nós, desde que seja só nós.Raiva de fome, de sede, de amor, de gente, de liberdade.Na verdade fome de liberdade e sede de amor.Mandou a mim um cartão postal dizendo que um dia me buscaria e me levaria com ela mas como todo líquido-amor pingou pelos meus olhos escorreu pelos meus dedos me deixou aqui cheia de gente.Amanhã ela volta, planta em mim tudo de novo, rega e vai embora.Ilusória como todas as outras promessas dos caras-pintadas-enumerados.
Então eu acho que não sei o nome disso que você disse amor de mim por você não ser Que terminou mas não passa Despediu mas não foi embora Levou embora esperança mas ainda alimenta E me atormenta De um jeito estranho Nem ruim nem bom Só desgastante Agora se faz só de lembranças inapagáveis e imensamente desejáveis Que me amadureceram e por sinal já me derrubaram Se não é isso que chamam de amor, nem sei!
Calma pequena,vai passar.Ergue o queixo, o ombro e os olhos, faz sua história, não deixa ninguém escrever por você, não entrega o seu sorriso a ninguém, te guarda pra si, aprende a ser sozinha pois no final sempre será você por você mesma, mas não entristece com isso e pensa que ninguém cuida de ti melhor que você mesma.Ouve teus próprios conselhos.Aprende a ser sozinha,tudo nessa vida tem um fim!