domingo, 5 de junho de 2011

Quando nossos valores mudam, quando a gente aprende a viver bem com nós mesmos, quando conseguimos sorrir e seguir sozinhos, quando somos capazes de passear pelo pretérito “perfeito” errado sem chorar, quando aceitamos o presente.É quando, aí sim, começamos a ficar mais velhos,ou maduros como preferir.
Tento passar o maior tempo possível na minha bolha, nos meus livros, meus cafés, porque é quando eu não preciso explicar nada pra ninguém, eu não preciso conversar com ninguém. Essa coisa de ter que sorrir e conversar nunca me agradou, o silêncio sempre me pareceu encantador.Assim como as estórias que eu crio quando em minha bolha, os diálogos jamais concretizados, os momentos jamais vividos, o frio que nunca me abandona.Seria tão difícil assim entender que eu conseguiria passar dias, semanas sem sequer sair do quarto? Seria isso tão impossível de se fazer? Sim, por instantes eu tenho que afastar da bolha ou pelo menos deixá-la permeável, mas isso dificilmente vai acontecer.Logo, dou alguns passeios, faço algumas viagens, visto minha máscara de viver, uma máscara tão pesada, seria tão mais fácil carregá-la se você me ajudasse, mas você nunca vem, você não chega logo, não se entrega e não me deixa, só me confunde.Sem problemas, eu, mais que ninguém sei que o que crio não passam de contos de fadas, mas contos de fadas diferentes; são os meus contos, e eles jamais têm um final feliz.Eu aprendi a sonhar sem me machucar.
Deixar o álcool do meu corpo evaporar junto às minhas saudades, libertar junto com a fumaça os meus pensamentos dispersos, sorrir demonstrando algo que eu queria que fosse sincero, chorar como se as lágrimas que me escorrem limpassem tudo que me há de ruim, escrever como se fosse realizar.
Agora sim eu posso dizer que me sinto um tanto aliviada.Finalmente eu fui capaz de dizer o que queria, as palavras simplesmente foram lançadas ao ar e não foi tão ruim quanto eu esperava ser.Ainda posso me dizer confusa, ainda posso lhe chamar de indecifrável, ainda não sei o que pensas sobre nós, ou sobre mim,e sobre você.A tarefa está inacabada, a esperança ainda circula mas a minha razão grita mais alto, estou pronta para me decepcionar mais uma vez só estou esperando você.
Como de costume aqui estou mais uma noite sentada em nosso passado.Em transe.Revendo e perpetuando tudo aquilo que vivemos. Estou deitada ao seu lado em nossa cama retribuindo o carinho que me fazes no rosto,sorrindo sem perceber, tentando fazer o tempo passar lentamente,lhe assistindo em câmera lenta, me apaixonando pela sua fragrância, sentindo suas palavras me tocarem e sua voz ecoar em minha mente.Estou ouvindo a frase que jamais vou esquecer.Estou formulando frases que não vou ter coragem de dizer e pensando se me arrependerei por isso. Nós nos levantamos, o tempo passara muito rápido e você deve ir embora.Estou te levando até a porta, lhe segurando pela mão.Eu não quero deixá-lo ir.Abro a porta contra minha vontade, você me beija e se vai.Corro à janela afim de admirá-lo um pouco mais, você acena e segue.Segue levando o brilho dos meus olhos, o meu sorriso e tudo que há de bom.Leva consigo todo meu amor e deixa apenas a saudade e a esperança.E então eu me arrependo por não ter dito tudo que queria, por não ter lhe pedido que ficasse mais um pouco, talvez se mudado, por que não? Seria uma ótima idéia. Está tudo no mesmo lugar, tudo intocável esperando você voltar.O tempo está passando tão devagar agora que você se foi e eu penso se ainda há tempo de lhe dizer tudo que fora formulado.Parece cedo demais.Parece tarde demais.Estou tão cansada de te esperar, tão cansada de me sentar aqui todas as noites sem você, o passado está ficando tão distante e eu tenho tanto medo que você o esqueça ou o ignore. Então a coragem resolve tomar conta de mim, decido eu que é necessário falar.Reformulo todas as frases,está na hora.Pronto.Agora você já sabe, eu lhe contei sobre o que sinto e você já teve tanto tempo para lembrar o caminho de volta, ao menos deixe-me buscá-lo,por favor, encontre-me no nosso futuro.